"Eu até queria treinar, mas o meu joelho dói." "Tenho medo de piorar as costas."
Essas são frases que eu escuto muito na primeira conversa. E faz sentido... ninguém quer começar a treinar pra se sentir melhor e acabar se machucando.
Neste texto eu explico como eu monto o treino pra quem chega com dores no corpo e por que (na maioria dos casos) parar de vez não é a melhor saída.
Antes de tudo: eu não faço diagnóstico
Sou profissional de Educação Física, não médico nem fisioterapeuta. Se a dor é forte, começou depois de uma queda ou pancada, vem com formigamento, inchaço ou piora mesmo em repouso, o primeiro passo é procurar um médico.
Quando já existe um diagnóstico, ou quando o médico libera pra treinar, aí sim entra o meu trabalho. E muitas vezes é um trabalho em conjunto com o fisioterapeuta.
Saber o limite do meu trabalho também faz parte de cuidar de você.
Parar nem sempre resolve
Quando alguma coisa dói, a reação natural é parar de mexer. Só que, com o tempo, ficar parado costuma deixar a musculatura mais fraca... e uma musculatura fraca protege menos as articulações.
No joelho, por exemplo, glúteos e coxas fortes ajudam a absorver a carga quando você sobe uma escada ou se agacha. Nas costas, uma musculatura do tronco mais forte ajuda a coluna a aguentar o dia a dia, seja carregando uma sacola ou passando horas sentado.
Primeiro eu entendo a sua dor
Na avaliação, eu quero saber os detalhes: quando dói, em qual movimento, há quanto tempo, se piora no fim do dia ou de manhã, se já tem algum diagnóstico.
Depois eu vejo o seu corpo se movimentando. Muitas vezes a dor no joelho tem a ver com um tornozelo ou um quadril com pouca mobilidade, que faz o joelho trabalhar mais do que deveria. E é no primeiro treino que eu vejo na prática quais movimentos incomodam e quais não. Eu explico como funciona essa parte neste texto sobre a avaliação inicial.
O que eu ajusto no treino
A escolha do exercício. Se o agachamento livre incomoda, existem outras variações que trabalham os mesmos músculos. Eu escolho a que você consegue fazer sem dor e, com o tempo, a gente evolui.
A amplitude. Às vezes o problema não é o exercício, é ir fundo demais no começo. A gente trabalha na amplitude em que você se sente bem e vai aumentando aos poucos.
A carga. Quem chega com dor começa mais leve, e a carga sobe devagar. Às vezes é só 1 kg de cada lado... parece pouco, mas é o que deixa o corpo se adaptar sem reclamar.
Força e mobilidade. Muitas vezes a dor aparece porque a musculatura ao redor está fraca ou alguma articulação está travada... por isso, desde o primeiro treino, a gente trabalha as duas coisas.
E a conversa constante. Você me conta como se sentiu depois de cada treino, pelo WhatsApp ou no presencial, e eu ajusto o que for preciso. Se um exercício incomodou, ele não fica no treino "porque está na ficha".
Dois exemplos reais
Uma aluna me contou que, quatro meses antes, não conseguia se abaixar pra amarrar o tênis por causa da dor nas costas. No trabalho, o corpo pesava e ela não conseguia terminar as tarefas. Hoje ela treina quatro vezes por semana, tem disposição pro dia todo e consegue aproveitar mais o tempo com os filhos. Nas palavras dela, "nunca me imaginei treinando 4x na semana e com vontade de treinar".
Um aluno chegou querendo parar de sentir dor nos braços e nos joelhos. Depois de quase quatro meses de treino, a dor nos braços sumiu. O joelho ainda incomoda de vez em quando, depois de um dia pesado de serviço... e tudo bem. A ideia nunca foi prometer dor zero pra sempre, e sim um corpo mais forte pra aguentar a rotina.
Nos dois casos, o treino foi sendo ajustado conforme o corpo respondia.
O que você não vai encontrar aqui
- Treino que ignora a sua dor porque "dói mesmo, faz parte".
- Promessa de cura.
- Exercício mantido no treino só porque está na ficha.
Vamos conversar?
Se a dor é o que está te segurando, me conta como ela é na primeira conversa e a gente vai encontrar o melhor caminho. Eu te digo com sinceridade se dá pra começar comigo agora, ou se o melhor primeiro passo é procurar um médico ou um fisioterapeuta.
Eduardo Delazzeri